Vereador mais jovem considera-se um vitorioso

01/12/1997 / [14h:54m] - Além de muitas dificuldades, a trajetória de Agnaldo é marcada também por alguns golpes de sorte, como o fato de ter escolhido o PMDB como legenda para concorrer a uma vaga na Câmara. Se tivesse escolhido qualquer outra sigla, seus 652 votos não seriam suficientes para Elegê-lo. Por sorte, ele quis e foi aceito para participar da disputada nominata peemedebista.

Eleito vereador aos 28 anos, não é esse o fato que mais diferencia Agnaldo Araújo Nepomuceno (PMDB) dos outros 20 eleitos para a próxima legislatura na Câmara Municipal de Porto Velho. Órfão, analfabeto até os 18 anos, o soldado PM Agnaldo considera-se hoje um vitorioso por estar realizando seus dois maiores sonhos: tornar-se advogado e conseguir um lugar de destaque na vida pública.

E isso eu estou conseguindo sem apoio da família, sem dinheiro e sem prometer nada para ninguém – disse Agnaldo, comentando o fato de ter gasto cerca de 900 reais em sua campanha para vereador, quantia considerada irrisória para a maioria dos candidatos. Para se ter uma idéia do quanto é baixo esse valor, cita-se a informação do experiente vereador Everton Leoni (PSDB). Segundo o qual o valor gasto por alguns vereadores eleitos ultrapassou a casa dos 100 mil reais.

Além de muitas dificuldades, a trajetória de Agnaldo é marcada também por alguns golpes de sorte, como o fato de ter escolhido o PMDB como legenda para concorrer a uma vaga na Câmara. Se tivesse escolhido qualquer outra sigla, seus 652 votos não seriam suficientes para Elegê-lo. Por sorte, ele quis e foi aceito para participar da disputada nominata peemedebista.

Ainda na campanha, Agnaldo notava a diferença entre ele e a maioria dos outros candidatos. “Quando eu estava gravando o programa para a TV, os outros estavam lá com esposas, amigos e assessores para dizer o que eles deveriam dizer e como deveriam se comportar. Eu, que nunca nem tinha visto um estúdio daqueles, tive que me virar sozinho”, lembra ele.

Também foi sozinho que Agnaldo conseguiu levar adiante o sonho de entrar para a vida pública.

“Eu ia para os sinais pedir voto, escrevia cartas e fazia quase tudo das coisas. Meu único assessor foi Deus”. Conta ele, sem esquecer os amigos que colaboraram para a sua eleição – a maioria formada por colegas de faculdade e amigos da corporação. “Mas também tinha gente que eu nem conhecia e estava me ajudando. Pedindo voto para mim sem interesse nenhum, porque eu não tenho dinheiro e nunca prometi nada para ninguém”, garante o vereador eleito.

 

TRAJETÓRIA

Para chegar onde está Agnaldo revela ter passado por muitas dificuldades. A maior delas, entretanto, foi a descrença dos seus pais adotivos, um casas de pequenos agricultores que mora na zona rural de Ji-Paraná e que jamais acreditou na possibilidade de Agnaldo conseguir vencer na vida. “Até os 18 anos, tudo o que eu tinha aprendido em termos de educação era escrever meu próprio nome. A gente morava na roça e eu nunca nem tinha visto uma televisão. Tudo o que eu sabia da cidade era de ouvir no rádio. E mesmo lá no interior eu ja tinha esse sonho de ser advogado e de ser político”.

Para conseguir realizar-se, Agnaldo agarrou a oportunidade oferecida na época do alistamento militar. Veio para Porto Velho, ingressou ao Exército, fez supletivo na Escola Padre Moretti e hoje é acadêmico de Direito da Faro (Faculdade de Letras de Rondônia). Apesar de estar a mais de meio caminho andado, Agnaldo tem ainda algumas dificuldades, especialmente na PM, onde mora e trabalha, pois foi o único eleito dentre os 12 militares (e parentes) que concorriam à vaga que alcançou.

Eu estou feliz não só por ter vencido, mas pela forma com a qual nós conseguimos ganhar a eleição. Porque, durante toda a campanha, eu não usei nenhum outro meio que não fosse a inteligência e o trabalho. Nós não mentimos e não compramos a consciência de ninguém. Era só experiência e vontade de trabalhar – disse o vereador eleito.

Sobre a experiência como parlamentar, Agnaldo revelou que conhece muito pouco da prática legislativa, mas tem conhecimento da teoria. “Além do mais, a prática nós vamos aprender no dia-a-dia”, diz ele, acrescentando que não escondeu esse fato de seus eleitores, a quem tem visitado para agradecer a votação recebida.

- Nas escolas  e outros lugares onde fui pedir voto, eu tenha voltado para agradecer a confiança e reiterar meus compromissos não apenas com os segmentos que me elegeram (estudantes e militares), mas onde o nosso trabalho for necessário – concluiu Agnaldo. - Não vamos atuar apenas em um setor. Vamos trabalhar onde for necessário. Temos compromisso com a Polícia Militar e com o segmento estudantil, mas o nosso trabalho vai estar onde o pessoal precisa.

Fonte: ALTO MADEIRA

Agnaldo 1580 - FISCALIZAÇÃO

26/09/2014

Agnaldo Nepomuceno - Porto Velho/Rondônia